sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ser alegre é sinal de vida nova

" O pão que dou para a vida do mundo é a minha carne." Jo 6, 51

Dar a - alude a Eucaristia. A articulação desses dois elementos constituinte: carne e sangue, equivalem a totalidade do homem, e permite o simbolismo de comer e beber. A palavra carne designa tudo o que constitui a realidade do homem, com suas possibilidades e fraquezas, o ser mortal.  
Dar-se a comer, é uma doutrina que se afasta violentamente do antigo testamento, porque comer a carne lá, significa uma hostilidade destrutiva. Ser comida e bebida (carne e sangue), é o final macabro do exército de Góg (Ez 39,17). Além disso, consumir sangue, sede da vida, era proibido pelos judeus. Isso explica, porque ficaram escandalizados com a afirmação de Jesus em dar-se a comer. Caíram no equivoco de entender materialmente as palavras. 
Neste contexto, em dar-se como comida, Jesus retoma o ensinamento de Deus à Adão, sobre a proibição de comer do fruto da árvore em:  Gn 3,22 "...não coma dele e viva para sempre."  Por seu ensinamento, Cristo-sabedoria nos dá de novo o acesso à árvore da vida, do qual Adão fora privado  
( Pr 3,18). Nós não seremos mais expulsos do Paraíso, porque em Jesus, somos novamente adentrados no Paraíso, de uma vez por todas. Porque é em Jesus, conhecedor único do Pai de um modo imediato e pleno, que se realiza a promessa. Que alegria aos que creem!
Mas, para ir ao Cristo e crer nEle, é preciso ser atraído pelo Pai (Jo 6,44). A fé é dom de Deus, e é uma atração impressa no homem. Os profetas  escreveram que todos serão discípulos de Deus, ou seja, não aprenderão nas escolas dos homens, mas diretamente de Deus, embora ser discípulo do Pai, seja tê-lo visto. 
Graças aos méritos de  Jesus Cristo, podemos ir ao seu encontro e vê-Lo. Isso é uma realidade representada no episódio de Felipe e o Eunuco, onde se identifica uma abertura transcendental da Igreja, na qual se cumpre a profecia de Is 56,3: "Não diga o estrangeiro: O Senhor me excluirá do seu povo. Não diga o eunuco: Eu sou uma árvore seca."  A ação se move de fora, onde o anjo dá a ordem a Felipe, o Espírito o manda e depois o arrebata.  Era imprescindível que o próprio Espírito Santo intervisse nesta história, pois apesar do eunuco ser um homem culto, simpatizante do judaísmo, mesmo entendendo o sentido das palavras que lia no livro de Isaías, não conseguia identificar a personagem tão surpreendente, a que o texto se referia. Foi preciso que o missionário itinerante Felipe, o explicasse, guiasse, o encaminhasse, como Jesus o fez no caminho para Emáus, oferecendo ao estrangeiro uma aula de exegese cristã. A páscoa de Jesus, sua morte e ressurreição, que é a chave de compreensão da escritura. Do terreno deserto brota fonte de água vivificante, do livro incompreensível brota um sentido que ilumina e transforma o estéril e recupera dando  vida  nova.
Que Cristo feito carne, que se dá na Eucaristia, nos transforme, nos livrando de todas as dúvidas e incertezas ao seu respeito, nos tornando homens e mulheres alegres.

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